O Forcado

E assim que tudo começa, já há música na praça, salta para a arena com graça.
Meias brancas, de candura
Tira vermelha, à cintura
Jaqueta floreada, para pegar a criatura.
É assim que tudo começa,
Como se fosse uma peça.

É assim que segue a cena. O barrete já debotado, traz a alma do forcado.
É esforçado e persistente,
Tem rebeldia, é valente
Chama “Éh Toiro!”, mostra o que sente.
É assim que segue a cena,
Como se fosse um poema.·
É assim que surge a emoção
Uns podem dizer que é louco, mas no seu coração sabe a pouco.
A cabeça do toiro começa a erguer,
A terra faz estremecer,
Afinca-se o sentimento, ao desatar a correr.
É assim que surge a emoção,
Como se fosse uma canção.

É assim que se segue, em gloria...
O Forcado aumenta o respirar, encontra o touro a arfar.
Agarra os cornos em legitima defesa
Um momento de rara beleza.
Está feita a pega, linda, brava, com certeza!
É assim que se segue em gloria,
Como se fosse uma história.

É assim que se acaba em grande.
Aplausos, apupos e euforia, os Forcados soltam o toiro com alegria.
Só o rabejador ficou, o grupo todo se afastou.
O público acarinhou,
Voltear a arena, a lide encerrou.
É assim que se acaba em grande,
Como arte que corre no sangue!